sábado, 27 de junho de 2009

Vinte anos e nada mudou

Foram duas décadas de ditadura. Vinte anos de cegueira e mordaça. Você tem idéia de quanto tempo é isso? Vinte longos anos?
para nossa tristeza, quando estávamos deixando para traz toda sujeira dos militares, nos deparamos com o pior politico do século. José Sarney.
Com a morte de Tancredo Neves (tenho também minhas dúvidas se seria realmente bom para nosso país), o Brasil perdeu a chance de ser chefiado por alguém considerado um estadista competente. Mas, ao invés disso, fomos premiados com a figura que mais colaborou com os "milicos" e jogou nossa nação no limbo.
É claro que para tudo que vem sendo revelado (atos secretos, super salários para acessoristas e multiplicação de mordomias), o presidente do senado defende-se dizendo que a crise não é dele e sim da casa, do senado.
Assim fica fácil. Como todo bandido que é flagrado com a boca na botija dizendo que a culpa é da sociedade pela má sorte, Sarney culpa seus pares pela descoberta das suas pilantragens.
O que mais me deixa indignado é a declaração do seu defensor - O ilustre presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Mais uma vez, Lula sai em defesa do que é errado, do que é vergonhoso, do que tem de pior na política brasileira. Sim! na política brasileira. Em nenhum canto do mundo o crime do colarinho branco compensa tanto.
Pois então, o senhor Lula declarou que "o senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse um pessoa comum".
Mais uma vez, o nosso presidente traz a tona o apartheid social que vivemos. Sempre escrevi aqui que o Brasil é deveria ser em plural - Brasis.
Existe um Brasil onde cada um de nós, pessoas comuns, trabalhadores, sonhadores, vivemos e buscamos melhorar em todos os sentidos. Pessoal, profissional, sentimental e etc. E o "brasil", assim mesmo, com "b" minúsculo, pequeno, restrito e isolado. Esse "brasil" é dos nossos parlamentares safados, canalhas, ladrões e mentirosos.
Outro dia fiquei vendo um cão na rua em círculos, correndo atrás do próprio rabo. É assim que vejo os nosso parlamentares. Fazem suas sujeiras e depois, ficam como o cão, correndo atrás do prejuízo
Nós, cidadãos comuns, lembramos aos nosso funcionários - sim, pagamos para os serviços (de má qualidade) que nos prestam - que o artigo 5° diz o seguinte: "TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI, SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER NATUREZA" e ponto.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Dilma, Presidenciável ?

A cada quatro anos temos o processo eleitoral mais importante do país. A eleição presidencial.
Nesse pleito, teremos pela primeira vez uma mulher disputando a cadeira do Palácio da Planalto. Dilma Rousseff, 62 anos, 20 dedicados a política, é a preferida do presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Essa mineira de Belo Horizonte, foi nomeada ministra da Casa Civil em 2005 após o escândalo do mensalão que envolvia seu antecessor José Dirceu - outro também envolvido em terrorismo.
Hoje coordena o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Um plano que investe 6 bilhões de reais somente na região norte e nordeste do Brasil. Atualmente o PAC esta sendo usado como plataforma eleitoreira. Exemplo é o anuncio do pacote habitacional que promete 1 milhão de casas com um investimento de 34 bilhões de reais.
Vivemos em um país onde o sonho da casa própria ainda é sonho. Uma atitude louvável esse investimento. Mas com 6 anos de governo Lula, a preocupação a menos de dois anos da campanha eleitoral é suspeitíssima.
O que a maioria da população desconhece é o curriculum da futura candidata a presidenta.
Dilma Vana Rousseff militou na organização marxista Var-Palmares. Em 1969 ajudou a articular uma das ações mais ousadas da guerrilha: o assalto ao cofre do governador paulista Adhemar de Barros .
Na clandestinidade adotava codinomes como Estela,Luiza, Patrícia e Wanda. Foi presa em setembro de 1979 . Um promotor militar a chamou de " papisa da subversão". Ficou detida no presídio Tiradentes em São Paulo , o mesmo em que estava Frei Betto,um dos conselheiros de Lula.
Em 2008, uma reportagem publicada pela revista VEJA!, revelou que o Palácio do Planalto montou um dossiê que detalhava gastos da família de FHC.
A matéria diz que os documentos estariam sendo usados para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. A Casa Civil negou a existência de tal dossiê, apresentando no espaço de 15 dias três versões diferentes sobre o assunto, todas depois desmentidas pela imprensa.
Em entrevista coletiva em 4 de abril do mesmo ano, Dilma reconheceu a feitura do banco de dados, mas descartou a conotação política do mesmo.
Disse que o vazamento de informações e papéis federais é crime e que uma comissão de inquérito interna iria apurar o fato. Fato que até hoje não teve respostas definitivas e nem responsáveis punidos.

sábado, 4 de abril de 2009

Sonhos que deixamos de Sonhar

Outro dia me peguei pensando no meu passado. Puxa vida! Lembrei das farras que caia e dos porres que me derrubavam. Hoje com meus trinta e poucos anos ("mais poucos" do que você imaginou agora viu?), não tenho vontade e nem disposição para esses momentos de prazer ou desprazer - tudo depende do ponto de vista.
Mas voltando as vacas frias (alias, nem sei o porque que todos usam essa expressão. Nem de vaca estamos falando), pensei nos amigos que atravessaram esse momento de formação de caráter e inicio de cirrose.
Foram amigos leais, caras que ficavam lado a lado em qualquer situação. Um pé na bunda que levávamos das meninas por exemplo, estávamos todos lá, dando apoio e palavras de incentivo. E ajudando a xingar também.
Sonhos para o futuro eram divididos. O Rogério por exemplo, com seu topete (que hoje deu lugar a uma careca brilhosa), queria ser publicitário. Trabalha hoje em um laboratório clínico. Alberto, o Betão (porque todo nome que termina com berto, vira Betão?) com sua valentia, desejava ser lutador de boxe. Trabalha como segurança em uma rede de loja de varejo. Agnaldo "mão leve" e Ricardo o "Japa" queriam ser Dj´s. Não pense bobagem! O apelido "Mão leve" era por fazer aquela barulheira (scratch) com uma agilidade de deixar até o ratinho Ligeirinho com inveja. O Japa voltou as suas raízes e mora no Japão há 20 anos.
Eu? Eu nem imaginava que um dia iria atuar em rádio. Uma época pensei em ser médico. Usava branco e tudo mais. Até um dia uma senhora me perguntar que centro de macumba eu frequentava. Desisti! Acho que a culpa foi dela por ter destruído meu sonho de médico. Mas me tornei espírita!
Outra vez me imaginei sendo piloto de caça. Ah! Quem não assistiu TOP GUN e ficou imaginando quantas meninas iriam traçar se fosse igual ao Tom? Confessa!
Fiquei tão empolgado com a idéia que fiz de tudo para entrar na Força Aérea. Depois de semanas descobri que os soldados da Aeronáutica pilotavam e pilotam até hoje um tipo de aparelho. O rastelo!
Eramos os donos da rua. Achávamos que éramos os donos do nosso destino. Nos sentiamos imortais. Choramos juntos as perdas de amigos inesquecíveis como o Serginho que morreu ao extrair um dente. Uma das mortes mais idiotas!
Todos esses garotos se tornaram homens de bem. Tentando a todo custo e de forma correta sobreviver nesse mundo destruidor de sonhos.
Nossos rostos mudaram. A suavidade da infância deu lugar a uma pele com rugas, que nada mais são as cicatrizes das batalhas enfrentadas e vencidas. A guerra não se ganha nunca. Já que a morte é algo certo para todos. Mas o importante é ser valente, sonhador e crer que o amanhã reserva algo especial para cada um de nós.
Estou escrevendo tudo isso porque essa semana ganhei um cd da minha irmã. Um apanhado de MPB (sim! ouvimos outros sons além de Rock´N Roll). Ouvi "A Lista" de Oswaldo Montenegro que me deixou pensando e tentando fazer a minha lista. Pude perceber que deixei todos esses amigos e sonhos no passado. Coloquei em uma caixa de sapato os bilhetinhos de paqueras da adolescencia, fotos dos amigos nos momentos legais que vivi e hoje descansa no fundo do meu guarda roupa.

Ai em baixo esta a letra da música para você que não teve a oportunidade de ouvi-la.



Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Oswaldo Montenegro



Faço um desafio. Tent fazer a sua lista. Veja o que pode preservar e o que você perdeu. Veja se é possível recuperar. Veja se é possivel manter o que tem.
Boa Sorte!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sabedoria

É triste ver uma nação desprezar seus idosos. Pessoas que viveram e ainda viverão muitos males da nossa sociedade preconceituosa. Se você é uma dessas pessoas, verá o quanto sábios são esses seres que transbordam conhecimento. Mesmo aqueles com pouca cultura.
Lembro do meu avô. Seu Deli! Ah Seu Deli. Que saudade tenho do meu avô Deli. Homem de poucas palavras, da lavoura que passou boa parte de sua vida na roça. Criou 14 filhos e ainda arrumou tempo para cuidar de mim e da minha irmã. Nunca deu um tapa e para falar a verdade, nunca precisou. Me ensinou muitas coisas que hoje coloco em prática. Caráter, dignidade, honradez e um visão diferente e real da nossa política. Quando era criança me falou certa vez que vivíamos em um país pobre. Falava que a Copa de 58 era um exemplo. Lá fora batemos em todos aqueles ricos, e de goleada. Enquanto todos acreditavam que o Brasil nunca mais seria o mesmo, Seu Deli, sempre desconfiado, sabia que tudo permaneceria do mesmo jeito. Brasileiro tem mesmo dessas coisas de apostarem num salvador da Pátria. Ele falava do boxeador Éder Jofre, que batia em todo mundo. Até apanhar de um japonês. O Japão vai longe, dizia meu avó. O Brasil também, pensava eu. Pensava.
Mas nos anos 60 o Brasil deixou de ser um país pobre. Finalmente, descobrimos muito felizes, que éramos um país em desenvolvimento. Agora sim! Pensou meu avô. Deixávamos de ser um país pobre e estávamos em processo de desenvolvimento. A gente era sub. Como sub-tenente, subgerente de loja e tantos outros sub´s que encontramos por ai. Era questão de tempo acreditava Seu Deli.
Em nosso sobrenome passou a ter a palavra “desenvolvido”, não é?
Uma década depois e ganhamos uma nova nomenclatura. Passávamos a ser conhecidos como país de terceiro mundo. Puxa! Meu avô contava que era uma grande onde de otimismo. Na nossa frente só existia o primeiro e segundo mundo. Éramos medalha de bronze! Em meses ou até anos, o gigante pela própria natureza se tornaria o campeão dessa competição mundial.
Eu pensava. Poderia ser pior! Já pensou se fossemos quinto ou sexto mundo? Mas não! Éramos terceiro.
Mas as mudanças continuaram. Em pouco tempo deixamos de ser terceiro mundo e agora fazíamos parte de um bloco dos países em desenvolvimento. A coisa estava melhorando. Já éramos um bloco, tinha outros do nosso lado, ombro a ombro. A gente era um país que estava indo para frente.
Quando entramos nos anos 90, logo nos avisaram. O Brasil não é mais um país em desenvolvimento. Éramos um país emergente. Puxa! Emergente era sair de onde estava mergulhado. Ah sim! Estávamos emergindo de onde estávamos mergulhados, da merda! Me desculpem.
Na adolescência, em um dos papos com meu avô, perguntei quem dava esses nomes todos para o Brasil. Um tal de G-7 mais a Rússia, respondeu Seu Deli. O engraçado é que a gente vai mudando de nome, mas o G-7 mais a Rússia continuam os mesmos. Cada vez mais ricos, cada vez mais primeiríssimo, desenvolvidíssimo, emergidíssimo. Esta na hora de parar para pensar que talvez toda essa evolução seja à nossa custa.
Como eles irão nos chamar na próxima década? Será que o nosso país sera conhecido como o país do Seculo XX? Ou seja, o país do século passado. Mas acredito que a melhor definição foi feita pelo meu avô, sábio avô. Somos um país pobre, em todos os sentidos, e ponto final.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Será o primeiro passo para uma reforma política?

O começo dessa semana foi bombástica. A entrevista do ex governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, a revista VEJA. Fala verdade! Quem tem o mínimo de bom senso, não sabia disso? Mas nem por isso perde a importância das revelações feitas pelo parlamentar. Ser testemunha ocular de anos e anos de conchavos e interesses pessoais, devem de alguma forma dar um novo rumo, ou pelo menos, um novo fôlego para meia dúzias de políticos sérios que ainda resistem as tentações.
Mas será que Vasconcelos fez as denúncias por ser um desses defensores da ética? Ou existe interesses mais obscuros por trás?
Para quem viveu a era Collor, sabe muito bem do que estou falando. O processo que terminou com o impeachment do presidente da República Fernando Collor, em 1992, começou com um desses depoimentos que seu irmão, Pedro Collor, concedeu a VEJA. Resultou em manchetes de jornais e revistas nos quatro cantos do Brasil. A capa da semanal com a chamada "Pedro Collor conta tudo" era um chamado a sociedade para não ignorar tal depoimento. E foi isso que aconteceu.
Com a pressão da REDE GLOBO e com umas centenas de "caras pintadas" manipulados, Collor deixava a Presidência. Os motivos que levaram Pedro Collor fazer tais denúncias nunca ficaram claras. Ele morreu vítima de câncer em 1994.
As Páginas Amarelas desta semana trazem um conjunto de revelações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos. Elas constituem um depoimento que também não se pode ignorar. Jarbas Vasconcelos, 66 anos, 43 dedicados a política, relata com a firmeza das testemunhas oculares que seu partido, hoje presidindo o Senado e a Câmara, é uma agremiação que se move apenas por "manipulação de licitações, contratações dirigidas e corrupção em geral". A entrevista de Jarbas Vasconcelos a VEJA não deixa muitas opções a seus colegas de partido e, por conseqüência, ao Congresso: processam o senador por falta de decoro parlamentar, imolam-se em praça pública ou vestem a carapuça e mudam seu comportamento. Todos nós, branco, negro, pobre ou rico, precisamos acompanhar muito de perto o desenrolar dessa história. Será que é o primeiro passo para uma reforma política séria e um profundo e histórico processo de limpeza da vida pública brasileira?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Deus nos livre!

Essa sera uma semana decisiva no senado. Tião Viana (PT) e José Sarney (PMDB) irão disputar a presidência da casa. Primeiramente, qualquer resultado dessa eleição quem perde é a sociedade. Isso mesmo! Nenhum dos dois senadores tem as qualidades necessárias para sentar em uma das cadeiras mais importantes do nosso país.
Nem com muito esforço dá pra acreditar que o senador Tião Viana seja o candidato da renovação como ele mesmo faz questão de se auto-rotular. Alguns assuntos são proibidos em sua campanha. Segundo a revista ISTO É!, existe um dossiê rodando os gabinetes do Senado Federal no qual consta algumas estripulias cometidas por Viana no governo do seu irmão no Acre e ainda sobre nomeações no Ministério da Saúde. Mas não para por ai. Quem não se lembra do caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa?
Costa divulgou ter visto o ex-ministro Palocci frequentando a mansão do Lago com lobistas. Seu depoimento na CPI foi silenciado por um remédio jurídico impetrado no STF pelo senador Tião Viana. O motivo? Até hoje não foi esclarecido.
O segundo candidato, José Sarney, é campeão de negócios obscuros. Vou tentar usar alguns, porque meu computador tem somente 2G de memória e não teria espaço suficiente para relatar todos os escândalos e negócios duvidosos do ex-presidente.
Com uma campanha baseada em promessas - o típico político brasileiro - conquistou a maioria do senado. Voltou atrás ao apoio que daria a Tião Viana na era Renan Calheiros, ofereceu ao PR (partido de Fernando Collor) o comando da Comissão de Relações Exteriores e a troca da frota de carros oficiais da década de 90.
E no atacado ainda garante que não ira mexer na estrutura do Conselho de Ética (onde?) e assim agrada um colégio eleitoral no qual mais de um quarto de seus membros respondem a processos.
Para finalizar, Sarney garantiu apoio a ministra Dilma Roussef rumo a presidência e ao mesmo tempo ligou para José Serra e disse que não tem nada contra ele e que ainda estava indeciso sobre quem apoiar em 2010.
Isso sem mencionar que José Sarney sempre foi "situação" e jamais, nunca, "oposição". Foi aliado dos militares na ditadura, apoiou Collor antes do impeachment e dai por diante. Sem caráter, sem ética, sem escrúpulos, sem senso de cidadania. Assim é Sarney. Perceberam? O critério para escolha do presidente do Senado deveria ser "honestidade".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A moita chamada Brasil

Segundo o dicionario Aurélio, a palavra moita significa acumulo de vegetação. Mas caiu no goto popular e muitos usam para definir o esperto, gato, sombra, mocado, na espreita e por ai vai. No termo militar é quando o soldado fica tão escondido que o superior nem sabe o seu nome. Mas logo logo isso deve agregar um novo adjetivo. Brasil!
Conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua em seu país de origem, soa como uma afronta aos princípios éticos,morais e legais.
A indignação é imediata e os nervos chegam a ficar à flor da pele. Mas como diria o poeta, " tudo é uma questão de manter a mente quieta,a espinha ereta e o coração tranqüilo." Mas não existe surpresa na decisão do Ministro da Justiça Tarso Genro.
Battisti é, como Genro,um ex-ativista comunista,integrante de um grupo que durante a década de 70 cometeu várias barbáries na Itália baseado naquelas ideologias de fanáticos comunistas conhecidas por todos.
Mas há diferenças na forma de tratamento da justiça de cada país com esses ideologistas. No Brasil, eles chegaram ao poder, na Itália é condenado a prisão perpétua.
Não posso afirmar que Cesare é inocente. E não duvidaria se alguém dissesse que os seus crimes foram muito mais numerosos. Mas, segundo algumas informações, Cesare fora condenado sem provas suficientes. Apenas a delação de um ex-companheiro teria servido de base para a justiça italiana condená-lo. Cesare nega os crimes.
A Itália pode ser o berço do Renascimento, ter uma gastronomia maravilhosa, mulheres lindas, ser tetracampeã do mundo no futebol, ser um país europeu, mas tem um histórico tão ou mais medíocre que o nosso quando o assunto é ética e moral. É um país sinônimo de corrupção em todas as bases da sociedade e por seu histórico político, especialmente a partir do século XX, não tem instituições merecedoras de credibilidade.
Portanto, Tarso e Battisti podem ter razões além do fato de serem ex-comunistas que jamais reconhecem seus crimes. É uma pena que o tratamento oferecido ao italiano não foi o mesmo para os boxeadores cubanos.